terça-feira, março 13, 2007

Idi Amin inspirou o filme O Rei da Escócia...

... filme que deu o óscar de melhor actor a Forrest Whittaker. Idi Amin Dada Oumee, ex-ditador de Uganda, (17 de maio de 1928, Kampala, Uganda – 16 de Agosto de 2003, Jeddah, Arábia Saudita) da étnia kakwa. A sua ditadura foi caracterizada por genocídios e requintes de crueldade utilizados nas execuções, daí as alcunhas de "o talhante de Kampala" e "senhor do horror", atribuidas a ele pelo povo ugandense. Idi Amin assumiu o governo do Uganda quando era comandante-chefe das forças armadas, destituindo o antigo governo civil. Era defensor de Hitler e favorável à extinção do Estado de Israel. O seu governo terminou em 1979, quando as tropas da Tanzânia, que nunca reconheceram o seu governo, o destituiram sob o apoio dos ugandenses. Idi Amin Dada nasceu numa pequena tribo de camponeses muçulmanos de Kakwa nas margens do Nilo, num dos distritos mais remotos de Uganda. Foi um dos déspotas mais sanguinários de África, considerado culpado pela morte de dezenas de milhares de ugandenses. Tomou o poder num golpe militar (1971), derrubando o presidente Milton Obote. Alistado no Exército britânico, foi inicialmente ajudante de cozinha do regimento britânico King's African Rifles.Impressionou com seu 1,90 metro de altura, e os seus 110 kg bem como a sua habilidade pugilística, que o converteram num campeão de boxe na categoria de pesos pesados do seu país (1951-1960). Após a independência do país (1962) tornou-se chefe do Exército (1966) do presidente Milton Obote. Após o golpe de estado, depois de alguns meses de moderação, iniciou rapidamente a arbitrariedade como estilo de governo que durante oito anos (1971-1979) de um regime brutal deixou um país arruinado e centenas de milhares de pessoas assassinadas.

Demonstrando um temperamento megalómano, vingativo e violento, expulsou (1972) cerca de 40 mil asiáticos, descendentes de imigrantes do império britânico na Índia, dizendo que Deus lhe havia dito para transformar Uganda num país de homens negros. Uma figura grande e imponente, o seu comportamento excêntrico criou a imagem de um homem dado a explosões irregulares e foi chamado de Bug Daddy. Uma vez declarou-se rei da Escócia, proibiu os hippies e as mini-saias, e chegou a um funeral da realeza saudita usando um kilt. Certa vez (1999) disse a um jornal ugandense que gostava de tocar acordeão e de recitar o Alcorão. Depois de assumir o poder (1971), tornou-se um ditador que violava os direitos humanos fundamentais durante um "reinado de horror", segundo a Comissão Internacional de Juristas. Expressava admiração por Adolf Hitler, foi denunciado dentro e fora do continente africano por matar dezenas de milhares de pessoas durante seu governo (1971-1979). Algumas estimativas dizem que o número ultrapassa as 100 mil pessoas. Muitos ugandenses acusavam o ex-campeão de boxe de manter cabeças decepadas no frigorífico, de alimentar crocodilos com cadáveres e de ter desmembrado uma de suas esposas. Alguns diziam que praticava canibalismo. Rompeu relações diplomáticas com Israel, ordenou a expulsão de 90 mil asiáticos, a maioria comerciantes indianos e paquistaneses, e de vários judeus (1972). Foi recebido (1975) pelo papa Paulo VI como chefe em exercício da Organização da Unidade Africana. Foi notícia internacional (1976) quando, depois do sequestro de um avião da Air France por um comando palestino, uma força aérea israelense atacou o aeroporto de Entebbe, a 37 km de Kampala, libertando todos os reféns. O ataque deixou 31 mortos, entre eles 20 ugandenses, uma intervenção que foi encarada como uma humilhação pessoal. Rompeu (1976) relações diplomáticas com o Reino Unido e, dois anos depois, fracassa um atentado contra ele nos subúrbios de Kampala. Exilado na Tanzânia, o líder por ele derrubado Milton Obote convocou um ataque (1979) e, no dia 11 de abril, o ditador foi derrubado pela Frente Nacional de Libertação de Uganda (FNLU), pelas forças do presidente da Tanzânia, Julius Nyerere, e de exilados ugandenses, e um novo regime, dirigido por Yusuf Lule, chefe do FNLU, também seria destituído no dia 20 de junho por Godfrey Binaisa. Abandonou então o país e fugiu para a Líbia, mas teve de procurar um novo refúgio quando o ditador líbio Muamar Kadhafi o expulsou do país. Recebeu asilo da Arábia Saudita em nome da caridade islâmica, onde passou a viver até o fim de sua vida, acompanhado pelas suas quatro esposas e seus mais de 50 filhos. Quando o seu estado de saúde se agravou, em Julho, uma de suas quatro mulheres pediu para voltar a Uganda para morrer, mas o actual governo negou o pedido, sob o argumento que se retornasse ao país seria julgado pelas suas atrocidades. Gravemente doente foi internado na Unidade de Tratamentos Intensivos e morreu no Hospital Especialista Rei Faisal, em Jeddah, Arábia Saudita, de complicações devido à falência múltipla de órgãos. Foi enterrado na cidade saudita de Jeddah, onde ele viveu a maior parte do tempo desde que foi deposto (1979) num pequeno funeral na Arábia Saudita, horas depois de sua morte no sábado, 16 de agosto. Os ugandenses reagiram com uma mistura de alívio com a morte de um tirano e a nostalgia por um líder que muitos aplaudiram por expulsar asiáticos que dominavam a vida económica.

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